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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O machismo às avessas

Leonardo era o homem que toda mulher sonhou em ter: obediente, recatado, cozinhava, lavava e passava. Como amante também não ficava atrás. De corpo quase escultural naturalmente, entre quatro paredes fazia de tudo e deixava ser dominado pela esposa. Mesmo que não tivesse muito afim, depois daquele dia estressante no trabalho, era só a Lorena pedir que lá estava ele para a servir do jeito que ela gostava.
A rotina era como um conto de fadas para ela. Quando Lorena levantava para trabalhar, o café já estava pronto e posto na mesa. As crianças já de banho tomadas, quase prontas para a escola. Café tomado, ela já levava as crianças para a escola enquanto ele andava cerca de trinta minutos para pegar o ônibus para ir ao trabalho. Era melhor assim, já que a escola dos meninos ficavam no caminho do trabalho da mãe e, afinal, o carro era mais dela então ele que se virasse.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A (des)valorização do jornalismo

Nesse (muito) tempo sem escrever no blog, tive várias idéias de temas, mas nenhum saiu do pensamento. Aborto, feminismo, o estupro não consumado, o machismo diário, tudo isso ficou martelando na minha cabeça durante essas semanas, de como eu trataria tal assunto com boas bases de dados e fatos.
Mas, como jornalista, resolvi tratar de factuais.
Não, não vou aqui falar de algum acidente, da falta d’agua, de nota policial nem nada disso. Aqui vai valer a metalinguagem. O jornalismo está em pauta e eu vou explicar agora o porquê de ser factual.
Ultimamente tenho visto alguns fatos que me deixam intrigado (e desesperançoso) com a profissão que escolhi para a minha vida. Vejo assessores contratados que nunca entraram em uma aula de jornalismo; estagiário fazendo o papel de funcionário, mas com menos da metade do reconhecimento; e a trágica crise mercadológica, com demissões em massa e insatisfações no trabalho, levando sonhos por água abaixo devido à falta de valorização do ofício.
Juntando tudo isso, surge um papo com uma ex-estagiária sobre as frustrações do jornalista em formação e ainda pula na minha frente uma sugestão de documentário sobre isso. Não tive como fugir. Era esse, então, o meu tema de post!
Mas vamos ao que interessa (ou não): a minha “análise” sobre o que está por aí na vida.

domingo, 26 de outubro de 2014

O discurso do ódio

Não me posicionei diretamente sobre política nesse período eleitoral, mas uma coisa me preocupou muito durante esse tempo: o discurso de ódio nos dois lados. Em várias discussões acaloradas, os argumentos se esvaíam e sobrava apenas o ódio. E não só entre os eleitores mais cegos, mas principalmente entre os candidatos. O que se viu não foi uma campanha e debate de propostas. Era apenas ataque. Em relação ao governo que o outro fez, à corrupção que ambos praticam e quase ofensas pessoais_ me senti mais em uma briga de colégio, em que o ofendido chama a mãe pra defender.
Mas o que me “motivou” a escrever esse texto e estreiar esse blog foi o que eu presenciei hoje, agora há pouco, enquanto voltava de viagem. A apuração das eleições estava acirrada e já no fim, dando vitória à presidente Dilma. Como era de se esperar, vários comentários pequenos e silenciosos, entre os amigos/namorados que viajavam lado a lado. Até aí tudo bem. Até um jovem (que para meu azar, estava atrás de mim) começar com o discurso de ódio na maior altura_ parecia que queria atingir até o motorista. Era tanta coisa feia nas falas dele, que tenho que dividir em tópicos alguns dos principais comentários.