12 de abril de 2015. Segunda manifestação do
ano, em todo o Brasil, contra a corrupção. Mesmo com o pé machucado, fui lá
fazer a cobertura desse levante popular. Por incrível que pareça, eu estava
realmente empolgado com a escala. Cobrir a manifestação é uma ótima
oportunidade para participar do movimento e contribuir, de alguma forma, com o
jornalismo brasileiro. Além disso, a gente só pode falar daquilo que realmente
conhece, não é mesmo? Eu estava ansioso para chegar lá e ouvir da população
indignada o porquê estavam protestando, contra o que lutavam e o que realmente
os perturbavam.
Tive total liberdade na escolha da abordagem
da minha matéria. Com isso, planejei mostrar apenas os manifestantes e expor o
que eles foram fazer lá, se sabiam o que aconteceria caso Dilma saia etc. Na
pauta, perguntas simples como “o que você veio fazer aqui?”, “o que pode
acontecer?”, entre outras nesse sentido. Claro que, como no jornalismo nada é
fechado, estava aberto a novas perguntas dependentes das respostas dadas.
A rua
realmente estava muito bonita, com todo mundo de verde e amarelo lutando pela
dignidade do país, não há como negar. A concentração oficial estava marcada
para às 10h e a saída para 12h. Esperava estar muito mais cheio do que eu vi.
Pela mobilização nas redes sociais, pelos discursos oriundos pós-15 de março,
pela crescente insatisfação popular. Tinha muita gente. Mas não as 20 mil
pessoas estimadas pela organização.
Mas será que havia equidade no discurso
dessas pessoas? Os manifestantes sabiam o que estavam fazendo lá? Ou era mais
uma oportunidade para tirar a selfie com a camisa da CBF e colocar no instagram
com a hashtag #vemprarua, mostrando-se engajado politicamente? Foi pra isso que
fui pra rua.
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Entrevistei dezenas de pessoas, adultos,
jovens, crianças, sem distinção de idade. De cor até que sim, mas não foi por
minha culpa. Os únicos negros que vi durante as 6 horas que estava acompanhando
essa multidão foram alguns vendedores ambulantes e duas mulheres que pediam
revolução marxista. Fora isso, brancos, aparentemente de classe média alta e,
segundo o próprio narrador de cima do trio, “só gente bonita”.
As opiniões foram diversas. De reforma
política com manutenção da presidente até intervenção militar, ouvi todas elas
e trago aqui o que me chamou mais atenção. É claro que tinha muita gente
coerente, que sabia exatamente o que estava fazendo lá e o destino do país.
Mas, infelizmente, a maioria não era assim. Pelo menos entre os meus
entrevistados e cartazes.
Agora chega de blá-blá-blá e vamos ao que interessa: a manifestação foi pra quê?

